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segunda-feira, 12 de dezembro de 2011

Gestalt

Postado por Larissa Cosmi

O que é Gestalt?

http://design.blog.br/
A psicologia da Gestalt é um movimento que atua na área da teoria da forma. O design utiliza as leis da Gestalt o tempo todo, muitas vezes até de forma inconsciente. Ele ajuda as pessoas a assimilarem informações e entenderem as mensagens que são passadas. Este artigo visa explicar de forma detalhada o que é a Gestalt e como ela é aplicada no mundo do design gráfico e web design.

O que significa a palavra Gestalt?

Muita gente acha que é o sobrenome de algum psicólogo que teria fundado o movimento. Na verdade, é uma palavra de origem germânica que significa “forma” ou “figura”. Outros nomes pra psicologia da Gestalt são Gestaltismo, psicologia da forma ou simplesmente Gestalt.
Embora esse movimento tenha sido fundado por Max Wertheimer, o conceito de Gestalt foi primeiro introduzido na filosofia e psicologia contemporânea por Christian von Ehrenfels. Outros nomes importantes da Gestalt são Kurt Koffka e Wolfgang Kohler.

Qual é o princípio básico da Gestalt?

Em termos mais gerais, é o conjunto de entidades físicas, biológicas, fisiológicas ou simbólicas que juntas formam um conceito, padrão ou configuração unificado que é maior que a soma de suas partes. Ou seja, o princípio básico da teoria gestaltista é que o inteiro é interpretado de maneira diferente que a soma de suas partes.
Vemos uma mesa como um objeto diferente do que apenas a soma de suas partes
Vemos uma mesa como um objeto diferente do que apenas a soma de suas partes

Quais são as leis da Gestalt?

Você já notou como uma série de luzes piscantes parecem se mover de vez em quando, como sinais de neon e luzes natalinas? De acordo com a Gestalt, esse movimento aparente acontece por que nossas mentes preenchem a informação que falta.
gestalt02
A crença é de que o inteiro é maior do que a soma de suas partes inviduais levou ao descobrimento de diferentes fenômenos que ocorrem durante a percepção.
As leis básicas da Gestalt são usadas com uma frequência altíssima hoje em dia no design, assim como em outras áreas do conhecimento humanos (como arquitetura, artes, moda, etc).
São elas:
  • Semelhança
  • Proximidade
  • Continuidade
  • Pregnância
  • Fechamento

Lei da Semelhança

A lei da semelhança dita que eventos que são similares se agruparão entre si.
Gestalt - Semelhança

Lei da Proximidade

Elementos são agrupados de acordo com a distância a que se encontram uns dos outros. Elementos que estão mais perto de outros numa região tendem a ser percebidos como um grupo.
Gestalt - Proximidade

Lei da Continuidade

Essa lei dita que pontos que estão conectados por uma linha reta ou curva, são vistos de uma maneira a seguirem um caminho mais suave. Em vez de ver linhas e ângulos separados, linhas são vistas como uma só.
Gestalt - Continuidade

Lei da Pregnância

É chamado também de lei da simplicidade. Ela dita que objetos em um ambiente são vistos da forma mais simples possíveis. Quanto mais simples, mais facilmente é assimilada.
Gestalt - Pregnância

Lei do Fechamento

Elementos são agrupados se eles parecem se completar. Ou seja, nossa mente ver um objeto completo mesmo quando não há um.
Gestalt - Fechamento

Quando a Gestalt deve ser aplicada?

Sempre que possível. Usando teorias gestaltistas no design, você pode gerar soluções alternativas para problemas comuns.








Um bônus:


http://www.luli.com.br/2007/05/22/aprenda-gestalt-com-james-brown/

Deserto de Detroit


Postado por Larissa Cosmi

O estranho desafio dos urbanistas de Detroit (USA): como encolher a cidade

14 abril , 2011
Monica Davey

Quando Marja M. Winters estava estudando planejamento urbano na faculdade, ela aprendeu a arte e a ciência de ajudar as cidades a crescer.

Agora Winters, nativa de Detroit e vice-diretora do departamento de planejamento e desenvolvimento da cidade, encontra-se num papel inesperado, um papel para o qual nenhuma escola pensou em prepará-la: ela está tentando descobrir como ajudar sua cidade natal a encolher, tomando decisões difíceis que determinarão quais bairros podem ser salvos e quais não.

“Sempre houve essa noção de que a população do mundo continua a crescer, e mais e mais pessoas querem viver nas cidades”, disse Winters, 33, sobre seus cursos na Universidade de Michigan. “A realidade é bem diferente. Quem saberia dizer?”

Avaliar a melhor forma de reduzir uma cidade não é algo totalmente desconhecido (já foi considerado em Youngstown, Ohio; e Flint, Michigan). E o prefeito Dave Bing estabeleceu como sua maior prioridade lidar com a população em rápida queda de Detroit e com o colapso de sua infraestrutura, transferindo aqueles que sobraram para poucos bairros, em vez de deixá-los espalhados por uma cidade de 360 quilômetros quadrados, cujos limites faziam mais sentido quando o dobro de pessoas moravam aqui há 40 anos.

Na verdade, realizar um esforço como este, em particular numa cidade tão vasta quanto Detroit, é como resolver um conjunto complicado de quebra-cabeças entrelaçados, como Winters descobriu durante dias longos e algumas noites debruçada sobre milhares de páginas de mapas e estatísticas em seu escritório no 23º andar do centro da cidade.

Como reconfigurar as estradas, linhas de ônibus, distritos policiais? Como encorajar as pessoas – não há um poder para obrigá-las – a sair dos piores bairros e ir para bairros melhores?

No final deste mês, uma equipe da qual Winters faz parte deve apresentar uma proposta – certamente muito controversa – de mapa para servir de guia para os investimentos em cada um dos bairros da cidade. Um plano final para uma cidade refeita deve ficar pronto até o final do ano.

“O maior equívoco é achar que não precisamos mudar”, disse Bing, que foi eleito em 2009 e descreve sua cidade como um lugar que está “machucado” e “doente”.

“Os maiores problemas são as pessoas que moram na periferia, mais do que qualquer outra coisa, onde os bairros decaíram a um ponto em que não faz mais sentido reinvestir”, disse ele. “As pessoas dirão: ‘bem, por que não eu?’ E eu digo: não temos dinheiro para fazer isso.”

Detroit já está encolhendo por conta própria, é claro. Números recentes do censo mostram que a cidade, que já foi a quarta maior do país, perdeu um quarto de sua população só na última década, deixando-a com menos de 714 mil habitantes.

Mas a perda de população foi espalhada por toda a cidade, o que significa que as casas vagas e depredadas e os terrenos vagos pontuam os bairros de Detroit, em vez de surgir em pedaços consolidados e convenientes da periferia da cidade, deixando um centro mais vibrante. De fato, alguns dos bairros mais bem cuidados estão nas periferias, enquanto os locais problemáticos estão mais próximos do centro.
E assim, um contingente de consultores privados e funcionários municipais como Winters estão participando de uma das análises mais profundas da história de Detroit, avaliando a densidade populacional, casas hipotecadas, doenças, parques, ruas, encanamentos de água e esgoto, rotas de ônibus, terrenos públicos, e assim por diante.

Entre as descobertas mais tristes: mais de 100 mil terrenos, privados e públicos, estão vagos, e apenas 38% dos habitantes de Detroit trabalham na cidade.

O objetivo é identificar os bairros mais fortes e mais viáveis, que receberiam atenção e ajuda adicionais do município. Os moradores de alguns dos bairros mais fracos e vazios seriam incentivados a se mudar.

Será uma venda difícil para pessoas como Luther Gordon, cuja casa na zona leste da cidade fica na frente de uma casa vazia que pegou fogo algumas noites atrás e um lote vago num quarteirão cheio deles.


“Vou ficar exatamente aqui”, disse Gordon, 54, sobre a possibilidade de que seu bairro de mais de duas décadas possa ser considerado abandonado demais para ser salvo. “Eu não planejo ir para nenhum lugar a não ser para debaixo da terra.”

Os rumores estão circulando pelos bairros. O principal é o de que os piores bairros serão fechados, a energia será desligada e os prédios derrubados. A verdadeira intenção, disse Winters, é bem mais sutil, e lenta.

Embora a cidade ofereça algum tipo de incentivo para as pessoas de bairros miseráveis se mudarem, nenhum bairro será simplesmente fechado, diz Winters. Um lugar que não for considerado valioso para novos investimentos residenciais pode ver mudanças sutis: serviços como coleta de lixo podem ficar mais lentos, de uma vez por semana para até uma vez a cada 12 dias.

“Queremos reduzir o custo dos serviços para a cidade, mas também queremos manter uma qualidade de vida básica – a chave é como equilibrar isso?”, disse Winters.

O plano definitivo para esses bairros – o custo final para consolidá-lo – é incerto; alguns bairros poderão abrigar novas indústrias, e alguns poderão ser usados para preencher necessidades temporárias, ou para jardins urbanos e espaço verde.

Em bairros mais abastados, como o Indian Village, onde mansões preenchem os quarteirões e equipes de cortar grama estavam trabalhando na semana passada, a ideia de diminuir os bairros da cidade parece ter apelo para muitos moradores.

“Quando vou para alguns bairros hoje, fico com lágrimas nos olhos, simplesmente não consigo acreditar no que vejo”, disse Rukayya Ahsan-McTier, que andava rapidamente para se exercitar no Indian Village, enquanto carregava um taco de golfe em uma das mãos para se proteger dos cachorros de rua ou, como ela disse, de qualquer problema que possa aparecer.

Ainda assim, até Ahsan-McTier tem dúvidas sobre como o plano da cidade funcionará. Como o município convencerá as pessoas a sair de bairros mais baratos para ir para bairros mais caros? E será que os novos vizinhos se integrarão?

Em outros lugares, as pessoas tinham suas próprias preocupações: será que isso será apenas mais um capítulo da “renovação urbana” na qual os mais pobres, menos escolarizados e menos sortudos serão obrigados a mudar? E o que exatamente acontecerá com os bairros com menos serviços, que já são infestados por novos tipos de crimes que os moradores descrevem como audaciosos? (Lojas de alguns bairros começaram a colocar blocos de cimento do lado de fora de suas entradas de vidro, dizem os moradores, para evitar que os ladrões entrem com seus carros pela porta para assaltar.)

“Tenho esperança, mas não sei o que tudo isso significará”, disse Bayard Kurth, que trabalha com impressão no West Village, outro bairro bem estabelecido. “Grandes cinturões verdes na cidade? Lugares sem monitoramento onde as pessoas fazem o que querem? Festas de dia inteiro?”

Por sua vez, as autoridades dizem que a polícia e os bombeiros sempre servirão a todos os bairros de Detroit – até aqueles em que restaram apenas poucas pessoas.

A esperança de Bing é que um “grupo central” de bairros conectados ao centro, e à espinha dorsal da cidade, a Avenida Woodward, continuem existindo, e que o plano por fim ajude a acabar com o êxodo de habitantes de Detroit.

Mais tarde, Winters passou horas numa reunião com grandes grupos para conversar sobre suas preocupações. Na semana passada, clérigos fizeram perguntas a ela; antes disso, foram os moradores mais antigos. No final deste mês, ela também deve se encontrar com os jovens, artistas, ambientalistas e empreendedores.

“É tudo muito difícil”, disse Winters outro dia. “Há muita coisa envolvida, não podemos simplesmente nos dar ao luxo de errar. Temos que acertar isso, agora mesmo.”

Tradução: Eloise De Vylder

Fonte: The New York Times

Cidade Ideal


A Cidade Ideal

Postado por Larissa Cosmi

[introdução]
Jumento: Àquela altura da estrada já éramos quatro amigos.
Queríamos fazer um conjunto, bem.
Queríamos ir juntos à cidade, muito bem.
Só que, à medida que agente ía caminhando,
quando começamos a falar dessa cidade, fui percebendo
que os meus amigos tinham umas idéias bem esquisitas
sobre o que é uma cidade. Umas idéias atrapalhadas,
cada ilusão. Negócio de louco...

[música]
Cachorro:
A cidade ideal dum cachorro
Tem um poste por metro quadrado
Não tem carro, não corro, não morro
E também nunca fico apertado

Galinha:
A cidade ideal da galinha
Tem as ruas cheias de minhoca
A barriga fica tão quentinha
Que transforma o milho em pipoca

Crianças:
Atenção porque nesta cidade
Corre-se a toda velocidade
E atenção que o negócio está preto
Restaurante assando galeto

Todos:
Mas não, mas não
O sonho é meu e eu sonho que
Deve ter alamedas verdes
A cidade dos meus amores
E, quem dera, os moradores
E o prefeito e os varredores
Fossem somente crianças
Deve ter alamedas verdes
A cidade dos meus amores
E, quem dera, os moradores
E o prefeito e os varredores
E os pintores e os vendedores
Fossem somente crianças

Gata:
A cidade ideal de uma gata
É um prato de tripa fresquinha
Tem sardinha num bonde de lata
Tem alcatra no final da linha

Jumento:
Jumento é velho, velho e sabido
E por isso já está prevenido
A cidade é uma estranha senhora
Que hoje sorri e amanhã te devora

Crianças:
Atenção que o jumento é sabido
É melhor ficar bem prevenido
E olha, gata, que a tua pelica
Vai virar uma bela cuíca

Todos:
Mas não, mas não
O sonho é meu e eu sonho que
Deve ter alamedas verdes
A cidade dos meus amores
E, quem dera, os moradores
E o prefeito e os varredores
Fossem somente crianças
Deve ter alamedas verdes
A cidade dos meus amores
E, quem dera, os moradores
E o prefeito e os varredores
E os pintores e os vendedores
As senhoras e os senhores
E os guardas e os inspetores
Fossem somente crianças


Arquitetura do Medo


Por Larissa Cosmi


Tenho medo de gente e de solidão
Tenho medo da vida e medo de morrer
Tenho medo de ficar e medo de escapulir
Medo que dá medo do medo que dá
[...]
Tenho medo de acender e medo de apagar
Tenho medo de esperar e medo de partir
Tenho medo de correr e medo de cair
Medo que dá medo do medo que dá
O medo é uma linha que separa o mundo
O medo é uma casa aonde ninguém vai
O medo é como um laço que se aperta em nós
O medo é uma força que não me deixa andar
[...]
Medo de olhar no fundo
Medo de dobrar a esquina
Medo de ficar no escuro
De passar em branco, de cruzar a linha
Medo de se achar sozinho
De perder a rédea, a pose e o prumo
Medo de pedir arrego, medo de vagar sem rumo
Medo estampado na cara ou escondido no porão
O medo circulando nas veias
Ou em rota de colisão
O medo é do Deus ou do demo
É ordem ou é confusão
O medo é medonho, o medo domina
O medo é a medida da indecisão
[...]





(Miedo – Lenine)

Na letra acima, Lenine cita situações onde nos deparamos, face a face, com o medo, que se mostra mesmo em situações corriqueiras, as quais aprendemos a temer naturalmente, talvez como forma de defesa e ou insegurança, geradas pelo próprio medo.
Para Mia Couto, “Vivemos como cidadãos e como espécie em permanente situação de emergência. Como em qualquer outro estado de sítio as liberdades individuais devem ser contidas, a privacidade pode ser invadida e a racionalidade deve ser suspensa.” (COUTO, 2001)

É como se o medo nos fosse intrínseco, até mesmo com o fim de identificarmos as sensações de segurança e paz convencionadas pela sociedade, talvez como uma forma de controle, como se fosse o limite entre o seguro e o ameaçador.

Os que trabalham têm medo de perder o trabalho; os que não trabalham têm medo de nunca encontrar  trabalho; quando não têm medo da fome, têm medo da comida; os civis têm medo dos militares; os militares têm medo da falta de armas e as armas têm medo da falta de guerras e, se calhar, acrescento agora eu, há quem tenha medo que o medo acabe. (GALIANO, ?)

Mas até que ponto o medo influi na concepção de um determinado espaço? Podemos observar numa simples caminhada pela cidade, verdadeiras fortalezas do século XXI, por trás de altos muros erguidos sem piedade e antes mesmo da forma ser estabelecida, sem nenhuma relação com ela, o que mal nos deixa admirar uma possível bela arquitetura e bloqueia sua inserção no mundo público. Pressionados pelo fenômeno da insegurança, cada vez mais os arquitetos dedicam suas idéias às ferramentas de segurança, que passaram a ser os itens de maior importância na compra de um imóvel.

Dessa forma, prédios e casas passaram a ser verdadeiras prisões gerando um caos psicológico dentro de moradores com inúmeras fobias, carentes de vivência urbana e que se confinam em interiores protegidos por grades, muros e cacos de vidro.
A relação entre o espaço público e o espaço privado fica cada vez mais distante e bem delineada. O jardim perde a função de extensão do passeio e as janelas não se abrem mais para as calçadas, por vezes se abrindo para dentro. A rua passa a ser a simples conexão de um local privado para outro e não funciona mais como um espaço de socialização. O que muitos não percebem é que a ocupação e a vivência do local público podem muito bem substituir um muro e inibir a ação de qualquer ladrão, pois a movimentação é comprovadamente mais eficaz que a barreira física.
Em Teses sobre Ludwig Feuerbach, Karl Marx condena esta individualidade e disserta sobre o grave dano social que ela acarreta: “A natureza do homem é a totalidade das relações sociais”.